Flávio Bolsonaro se diz "verdadeiro presidente eleito" em carta dos EUA e depois apaga o trecho; Lula ainda não comentou
A carta contesta a eleição sem apresentar provas. TSE, PL e o vice da chapa reconhecem a vitória de Lula. Trump disse que não vai se envolver.
Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)✓ O que sabemos
- Resultado oficial do TSE: Lula 51,79% e Flávio 48,21%
- A carta não apresenta provas de irregularidade
- O PL e o vice da chapa, Alfredo Gaspar, reconheceram o resultado
Três dias depois de perder o segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou nesta quarta-feira, 28 de outubro, uma carta em que se apresentava como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". O texto foi divulgado depois que ele chegou aos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas, e foi endereçado aos brasileiros e à comunidade internacional. Na carta, Flávio alega que houve fraude eleitoral, critica uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o horário de votação e acusa integrantes do Judiciário de perseguição política contra ele e a família. O documento não apresenta provas de irregularidade na votação ou na apuração.
Horas depois, diante da repercussão, Flávio editou a carta. O trecho em que se dizia presidente eleito foi retirado, e ele passou a se apresentar como "líder do Brasil". O Metrópoles observou que a nova versão ainda manteve, em uma passagem, a expressão "presidente eleito". No texto, o senador diz que saiu do país porque estaria mais seguro fora dele, que não está fugindo, e que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos, com mensagens frequentes e uma estratégia de mobilização a ser apresentada nos próximos dias. Ele também agradece a Donald Trump e a Javier Milei. Segundo a Jovem Pan, Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira pela fronteira de Foz do Iguaçu, seguiu para a Argentina, depois para o Equador e, por fim, para Miami.
O que diz o resultado oficial
O segundo turno foi realizado em 25 de outubro. Pelo resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral, Lula recebeu 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos, e Flávio, 59.826.041, ou 48,21%. O resultado foi reconhecido pelo TSE, por líderes internacionais e também pela própria oposição: o PL, partido de Flávio, e o candidato a vice na chapa dele, o deputado Alfredo Gaspar, aceitaram a vitória de Lula. Fontes do PL disseram à Jovem Pan que o partido não sabia da carta e não tem relação com a divulgação.
As reações
Até a noite desta quarta-feira, o presidente Lula não havia se manifestado publicamente sobre a carta. Quem falou foram aliados. Segundo a Jovem Pan, pessoas próximas do presidente trataram o texto como "piada" e ironizaram o senador, enquanto outros integrantes do governo viram na carta uma tentativa golpista e manifestaram preocupação com atos parecidos com os de 8 de janeiro de 2023. Também há receio de que o assunto contamine o Congresso nas próximas semanas e atrase votações, como a da PEC da Segurança, que está parada no Senado. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump foi questionado por jornalistas e disse que não vai se envolver no caso. Ele lembrou que o governo americano deu permissão para Flávio entrar no país e voltou a chamar a eleição brasileira de "muito estranha", mas não anunciou nenhuma medida.
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Fontes
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